Pontualidade e Honestidade

Por Pedro Cardoso da Costa

Todo povo excessivamente convicto de suas qualidades torna-se arrogante. O inverso ocorre com um povo que só acha que tem defeitos e aceita sua inferioridade com naturalidade.

Os denominados países desenvolvidos firmam os valores para todos os demais. Os ingleses são reconhecidos pela pontualidade. É comum ouvir-se a expressão pontualidade britânica. Os japoneses firmaram-se como os melhores em transformar tudo que for gigante em miniaturas. Os americanos, em fazerem justiça, especialmente no terreiro alheio. E os brasileiros, em darem um jeitinho. Este decorre da necessidade de corrigir o que não se faz bem feito, ou em tempo certo. Quando se refere a prazo, ainda que se tenha um ano para realizar, faz-se no último minuto. Por isso, faz-se de atropelo e erra-se por demais. Daí vem a necessidade de corrigir, via de regra, de forma a burlar a maneira correta. Muito raro o jeitinho ajuda. Como regra é um dos itens do atraso deste país.

Como nada ocorre por acaso, essa conduta nacional se firmou por ser valorizada em alguns setores sociais. Por muito tempo o malandro do samba carioca foi enaltecido. Morava em bairros, fumava, vestia-se de branco, usava chapéu e, de quebra, arrumava namoradas ricas como meio de sustentarem seus vícios.

No futebol também se cultua em demasia a malandragem. Os comentaristas entusiasmam-se com as artimanhas da malandragem. Jogadores que simulam sofrer faltas penais; fingem sofrer agressões para forçarem a expulsão dos adversários. Não são meros dribles para enganarem o adversário. São artifícios para levarem vantagens indevidas, coroadas com uma mensagem do ex-jogador Gerson para se levar vantagem em tudo.

Esse comportamento passa a integrar às atitudes do dia-a-dia dos cidadãos. Quem trabalha em empresas ou têm profissões que permitem andar em ônibus sem pagar, nunca mais banca suas passagens, mesmo depois de perder esse direito. Usa o uniforme, o crachá, dá a famosa carteirada. Procedimento que se repete para entrada em cinema, em teatro, em jogo de futebol com a meia-entrada. Nas grandes cidades é comum o motorista permitir a venda no interior dos ônibus em troca de um salgadinho ou doce jogado depois da descida. Isso é corrupção dissimulada, pois sem a troca ele não permitiria a entrada, pois esta não é permitida. Por essas e outras, advogados brasileiros não fazem defesas da justa pena, mas da impunidade, mesmo conhecedores da culpabilidade de seus clientes.

Com tantos desvios, cobra-se ética de parlamentares e de políticos em geral. Deve mesmo ser cobrada, mas a ética tem que fazer parte da vida de todas as pessoas, sem exceção e em todas as ações. Essas condutas devem ser reprovadas por serem desonestas e prejudiciais à Nação. A aceitação desses desvios leva a uma confusão e não firma claramente os valores de um povo.


Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP - Bel. Direito