Gafes inesquecíveis
Por Daniel Pereira*
Naquele ano de 1993 o secretário da Segurança Pública de São Paulo era o
deputado Michel Temer. Vida de político em cargo executivo é sinônimo de
trabalho dobrado. Ainda mais em ano pré-eleitoral.
Agenda cheia, viagens pelo menos duas vezes por semana para inaugurar
delegacias, entregar viaturas, reunir-se com as lideranças locais, ouvir
reivindicações. E lá ia a caravana, jatinho fretado, transformado em gabinete de
trabalho para reuniões aéreas antes da aterrissagem. O secretário, já um jurista
de renome, era um sujeito detalhista.
Quis o destino que eu estivesse assessor de Imprensa dele com a morte do então
titular, Ivan Machado de Assis – uma dessas figuras que a gente jamais esquece.
A maratona de viagens era uma necessidade imposta pela criação de novos
municípios paulistas – 52 desde 1º de janeiro de 1993, entre esses, Tarumã.
Uma vez definida a região a ser visitada, era inevitável marcar presença em
cidades de maior porte que estavam ali ao lado de uma daquelas novatas. Coisas
da política.. Tudo tinha que ser feito com muita habilidade, “para não ferir
suscetibilidades”, como gostava de dizer o velho Max, um dos assessores
políticos do secretário encarregados de arredondar a agenda e preparar o terreno
para o dia da visita. Ele, Orlando e Ruy.
E foi numa dessas que se deu a patacoada. O nome da cidadezinha não é relevante.
O fato é que, quando a comitiva do secretário apontou na curva da estrada,
anunciada pelo foguetório de praxe e muitas faixas idem, o entusiasmado locutor
azeitou a garganta e caprichou: “Vamos receber calorosamente nosso grande
secretário da Segurança Pública...Maaiiicoool Temer...”
Até o polido Michel sorriu – à La Monalisa, mas sorriu. Não precisou dizer nada.
Nem bem o carro parou podia se ver por que o competente locutor fora traído. Uma
enorme faixa trazia o nome do secretário em letras garrafais: MICHAEL TEMER. E
mais tarde a explicação: o rapaz era radialista esportivo numa rádio da cidade
mais próxima, onde estava começando a ser notícia um tal de “Maicol” Schumacher,
o alemãozinho que mais tarde viria a ser o maior piloto de Fórmula 1 de todos os
tempos.
Daniel Pereira (daniel07pereira@yahoo.com.br) é jornalista e
colaborador do umdoistres