ZILDA ARNS

Por Márcio Alexandre da Silva*

No Brasil há pouco tempo uma senhora nada simpática foi eleita a “mãe do PAC”. Então não é exagero nenhum, frei Betto eleger dona Zilda Arns (1934 – 2010) como “a mãe do Brasil”.

De fato, como essa médica sanitarista, extremamente simpática teve um olhar materno para as crianças brasileiras, sobretudo as mais necessitadas. Exteriorização desse amor que levou a frei Betto a afirmar: “Se milhares de jovens e adultos brasileiros sobreviveram às condições de pobreza em que nasceram, devem isso em especial à Dra. Zilda Arns, que merece, sem exagero, o titulo perene de mãe da pátria.” A mesma expressão do Arcebispo Metropolitano da Paraíba Aldo di Cillo Pagotto Presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança: “Ficará guardado na nossa memória, eternamente, aquele sorriso aprazível, de carinho, de conselheira, de mãe. Foi isso que Dra. Zilda foi: uma mãe para todos os brasileiros” ponderou o arcebispo.

Zilda Arns nasceu no estado catarinense em 25 de agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha (SC). Zilda é irmã do cardeal arcebispo metropolitano emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. A pedagoga e pediatra funda em 1983 a Pastoral da Criança. Organização que colabora na diminuição da violência domestica, soluções de problemas de desnutrições, acompanha gestantes e crianças menores de seis anos, promove a dignidade da pessoa, exerce a cidadania, espiritualidade, educação para paz, apoio psicológico, aleitamento, auto-estima, avaliação nutricional e inúmeras atividades. O site oficial da Pastoral da Criança constata que: “Após 25 anos, a Pastoral acompanha mais de 1,9 milhões de gestantes e crianças menores seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros. Seus mais de 260 mil voluntários levam fé e vida, em forma de solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.”

Em 2004 Zilda funda a Pastoral da Pessoa Idosa: “Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.” (Site oficial da Pastoral da Criança).

O irmão dom Paulo Arns motivou a todos: “Que nosso Deus acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e desamparados. Não é hora de perder a esperança” convida o Acerbispo emérito de São Paulo.

No site oficial da Pastoral da Criança encontramos a seguinte nota: “Com pesar, a Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, informa o falecimento da Dra. Zilda Arns Neumann – Fundadora e Coordenadora Internacional da Pastoral da Criança. Dra. Zilda estava em uma missão humanitária no Haiti e o Gabinete da Presidência da República confirmou que ela encontra-se entre em as vítimas do forte terremoto que abalou o Haiti nesta terça-feira, 12 de janeiro. Dra. Zilda estava no Haiti participando da Conferência dos Religiosos daqueles país e também para motivar os líderes e voluntários da Pastoral da Criança no Haiti que trabalham com crianças, gestantes e famílias.”

Essa semana fui à quitanda Duas Irmãs, aqui na vila prudenciana. O quitandeiro e amigo o senhor Antônio fez uma observação que transcrevo a seguir: “É inexplicável o fato de Barack Obama, que pouco ou nada fez pelo mundo, tenha ganho o Nobel da Paz. E Zilda Arns, que muito fez pelas crianças do Brasil e do mundo não tenha sido contemplada com esse mérito. Por que será?” Ele fez a pergunta e depois ele mesmo respondeu: “É o poder do dinheiro!” e continuou pesando as frutas e trabalhando. O filósofo quitandeiro entendeu a dinâmica do mundo e ainda disse: “O mérito dela [Zilda Arns] será contemplado no Céu.”, concluiu seu Antônio. Para mim essa foi à fala mais importante que ouvi sobre Zilda Arns. Pois, não havia demagogia e sim sinceridade.

Para nós, independente da fé, partido político ou ideologia Zilda Arns morará para sempre nas nossas memórias como grande promotora da paz e da justiça, ou seja, a “Mãe da Caridade do Brasil”.


*Professor de filosofia, morador da Vila Prudencina - marciobressane@hotmail.com