| Um projeto que beneficiará o tráfico
de drogas Por Archimedes
Marques*
O crime organizado e o desleixe estatal fizeram com que o
tráfico de drogas crescesse assustadoramente e tomasse conta
dos morros, das favelas, das invasões, das periferias das
grandes cidades do País. As matrizes das facções criminosas
nascidas e fortalecidas nas metrópoles brasileiras já formam
as suas filiais em tantas outras cidades e atuam como
verdadeiras criações maléficas para a nossa sociedade.
Esta atividade criminosa lucrativa para alguns e altamente
nociva para a população é, sem sombras de dúvidas, a raiz
central de diversos crimes outros consequentes ou
interligados, tais como: sequestros, latrocínios,
homicídios, torturas, roubos...
As organizações que comandam o tráfico de drogas, não
trabalham aleatoriamente, também possuem um organograma
imaginário com as suas diversas divisões, chefias, cargos e
operários até chegar ao objetivo comum de todos que é o
público consumidor.
Assim, tais empresas criminosas enriquecem assustadoramente
os seus líderes, os grandes traficantes, os empresários do
tráfico que possuem toda uma rede de assistentes ao seu
dispor, dentre os quais o pequeno traficante que compra e
revende a droga.
Como ocorre em todas as empresas, os seus componentes visam
chegar ao ápice das suas carreiras, e assim também, nesses
empreendimentos criminosos, é objetivo do pequeno traficante
chegar a ser um grande traficante para, além do seu real
enriquecimento financeiro, ter o poder do comando e até da
morte dos opositores em suas mãos.
O grande traficante, por conta da sua fama criminosa,
através do seu poderio financeiro e repressivo é
reconhecidamente e respeitado pelas comunidades locais como
sendo o rei do morro, da favela, do bairro, do pedaço. O
tráfico funciona nas diversas localidades como se fosse uma
espécie de governo ditatorial paralelo ao nosso Regime
Democrático do Direito.
O Estado, por sua vez, visando resgatar a ordem social
ferida mostra-se ineficiente para debelar tão afligente
problemática. Ações paliativas, pirotécnicas,
cinematográficas, projetos e programas emergentes surgem e
insurgem sem atingir os seus reais objetivos. Diversos
remédios usados restaram inócuos e não curaram essa doença
provinda do tráfico de drogas que tem como sustentáculo o
crime organizado.
Fora divulgado na mídia recentemente que em breve período
nascerá mais uma dessas ações milagrosas para conter o
tráfico. Haverá propostas de mudanças na legislação penal
brasileira no sentido de livrar os pequenos traficantes da
cadeia como fórmula mágica para sanear a preocupante
problemática.
Prognostica o projeto que o cidadão que for flagrado
vendendo pequena quantidade de drogas, estiver desarmado e
não tiver ligação comprovada com o crime organizado, será
condenado a penas alternativas, ou seja, não será mais
preso.
O Projeto de mudança de Lei será apoiado no Congresso
nacional pelo Ministério da Justiça e tem como argumento
principal para analise e aprovação pelos legisladores, o
fato do pequeno traficante ao ser encarcerado junto com o
grande traficante logo é arregimentado a participar das
organizações ou facções criminosas, engrossando assim as
suas fileiras.
Essa medida, se aprovada for, será um desastre de grandes
proporções para a sociedade em geral, pois na prática
estaríamos melhorando, facilitando e beneficiando o tráfico
de drogas, vez que, todos os traficantes, grandes ou
pequenos, estariam sempre escondidos atrás desse novo e
potente escudo.
Fato também altamente complicado e complexo seria a formação
do conjunto das investigações rápidas e imediatas a serem
efetuadas pela Policia em pleno ato de flagrante delito, no
sentido de comprovar a ligação do suposto pequeno traficante
com o crime organizado.
Esperamos para o bem comum da ordem social e de toda a
população brasileira que o Congresso nacional arquive por
irracional e inconsequente que o projeto demonstra ser.
O Legislativo deve se conscientizar de vez dessa real
problemática vivida pelo povo, deve se engajar efetivamente
nesta luta contra o tráfico, contra o crime organizado.
Projetos realmente sérios e efetivos devem ser criados tanto
na área preventiva quanto na repressiva. Penas mais rígidas
e sem benefícios devem ser aplicadas para os traficantes de
drogas.
O traficante de drogas deve ser tratado de maneira
diferenciada pela Lei brasileira sob pena de padecermos aos
seus pés, sob pena do crime organizado desestabilizar de vez
a ordem do País.
*Archimedes Marques (delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br
- archimedes-marques@bol.com.br - Fonte: www.infonet.com.br
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