| Por uma inabalável Corregedoria de
Polícia *Por Archimedes Marques
A sociedade brasileira sabedora dos seus direitos e das
obrigações dos funcionários públicos exige cada vez mais
transparência para todos os atos realizados pelos
componentes das diversas classes e instituições que lhes
prestam serviços essenciais.
A Polícia está dentre todas as instituições públicas como a
mais exigida, a mais observada pela população. A questão de
ser o policial o real protetor do povo, o guardião das Leis
penais, faz com que a comunidade acompanhe todos os seus
passos e lhe cobre sempre e efetivamente, além do destemor,
ações condignas e leais provindas dos seus atos.
O trabalho do Policial é árduo, perigoso, estressante e
ineficiente financeiramente, por isso, exige prudência,
perseverança, amor a profissão e capacidade de concentração
aguçada com equilíbrio e razoabilidade nos seus atos para
que não ocorra os deslizes.
É fato e não há como deixar de reconhecer que realmente
vários policiais em qualquer quadrante do país, tende com
facilidade aderir à corrupção, ao arbítrio das suas medidas,
ao desvirtuamento do seu encargo.
A questão da corrupção policial é, sem sombras de dúvidas, a
mais séria e grave existente no âmbito da segurança pública,
vez que o policial é acima de tudo o defensor das Leis
penais e para tanto tem que ser o primeiro a dar o exemplo.
Antes de ferir o patrimônio público ou particular, a
corrupção policial degrada os seus valores íntimos,
desvirtualiza a sua nobre missão, relativiza o costume e a
cultura da sua própria moral e torna negativo o conceito
público da sua instituição.
O órgão essencial no nosso regime democrático de direito
relacionado a corrigir as más ações policiais no âmbito
administrativo é a Corregedoria de Polícia que trabalha a
contento dentro das suas reais possibilidades, contudo,
muito ainda falta para se atingir o máximo da exigência
social.
A Corregedoria de Polícia visa investigar, reeducar,
corrigir e punir os abusos administrativos praticados pelos
seus agentes em ações profissionais excedentes ou
particulares ilegais no cotidiano de cada um.
As transgressões disciplinares previstas em Leis são
apuradas através sindicâncias, inquéritos ou processos
administrativos, e daí, se não houver absolvição do acusado
ou arquivamento do feito, pode advir penas de advertência,
repreensão, suspensão, demissão, cassação de aposentadoria
ou disponibilidade dos servidores julgados.
Entretanto, esta pontual e importante missão é por demais
difícil e estafante, pois além do receio da população em
denunciar ou testemunhar as más ações policiais, ainda
existe a questão do corporativismo em todas as classes da
Polícia para dificultar ainda mais as suas investigações e
decisões.
Ligados a esta problemática temos ainda a questão da
Corregedoria de Policia ser adstrita e subalterna
hierarquicamente à sua própria instituição policial, fato
este que faz com que grande parcela da população desacredite
nas investigações e punições dos infratores.
Nesse sentido, sem tirar o mérito atual dos órgãos
correcionais, para uma melhor transparência dos seus atos
perante a opinião pública e fortalecimento do setor é
necessário que se criem Corregedorias de Polícia mais
sólidas, inabaláveis, ligadas e subordinadas tão somente à
Secretaria Nacional da Segurança Pública e às Secretarias
Estaduais de Segurança Pública, ao mesmo tempo em que deve
haver uma verdadeira faxina para livrar de vez das suas
fileiras os cabulosos policiais.
Para que a autodepuração seja uma vertente forte e
verdadeira em todas as Instituições policiais e se acabe com
figura indesejável do falso policial também é preciso que se
reformem as Leis administrativas e penais em desfavor desses
infratores, transformando os seus respectivos procedimentos
em atos mais ágeis, menos burocráticos e que acima de tudo,
as vítimas e testemunhas verdadeiramente se sintam seguras
por proteção efetiva do Estado.
O sucesso destas medidas não trará apenas ganhos morais para
a Instituição policial, por certo, produzirá benefícios
concretos para a Nação, resgatando a confiança do povo na
sua Polícia, para caminharmos juntos em verdadeira
confiança, amizade, interatividade e enfim, para melhor
combatermos a criminalidade externa que geometricamente
cresce no País.
*Autor: Archimedes Marques (delegado de
Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão
Estratégica de Segurança Pública pela UFS) –
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