| Otimismo exagerado ou edulcorado?
Por Sindicato Rural de Cândido Mota
O Brasil, finalmente, deixa de ser o “País do Futuro”
para ser a sensação do momento. A alavancagem abrange todos
os setores da economia – indústria automobilística,
construção civil, comércio, esportes e turismo.
Só esqueceram de um detalhe: ninguém está preocupado ou fala
em quem vai produzir alimentos para sustentar toda essa
euforia.
Para ajudar, o clima resolveu colaborar para que esta
euforia se estenda pelos campos. A safra de grãos 2009/2010
está bem encaminhada. Os mais otimistas já falam em
super-safra porém, temos ainda um longo período de
incertezas e riscos até chegarmos a uma boa colheita.
Com esse excesso de otimismo, as pessoas preferem esquecer o
lado menos brilhante da realidade do país.
A verdade é que todo início de ano requer um certo otimismo
para que possamos respirar fundo e retomar nossos projetos
de vida.
E isso, depois do banho de otimismo, requer um choque de
realidade, para que voltemos a pensar com coerência e
maturidade.
Por isso, meus caros companheiros de luta, não dá pra
esquecer a nossa situação, que aliás, continua a mesma que
deixamos em 2009.
O trigo está sem preço, o milho com preços ridículos –
abaixo do custo de produção, e a soja com os preços em
queda. Também não dá pra esquecer o altíssimo estoque de
dívidas que assombra o produtor rural brasileiro.
O governo federal deu uma trégua com o novo decreto
ambiental, no entanto, apenas empurrou o problema com a
barriga e nada resolveu de concreto. Mesmo assim, todos se
acalmaram porque as multas foram provisoriamente suspensas,
e as nossas lideranças afrouxaram as pressões e os
produtores estão tranqüilos. Mas o risco de confisco de
terra com a atual legislação ambiental continua!
Falta empenho por parte de nossas lideranças políticas e de
classe. Falta comprometimento com o homem rural. Por outro
lado, nós produtores somos um tanto individualistas e
desunidos. Como diz um amigo meu: “...somos pobres, minoria
e desunidos”. Se quisermos fazer a diferença este ano,
teremos que mudar o nosso comportamento.
Oxalá, que neste ano de 2010 consigamos mais união do setor
e empenho de nossas lideranças. O Sindicato Rural de Cândido
Mota acredita e trabalha para que isso aconteça e tem
procurado cumprir o seu papel de representante legítimo dos
produtores rurais.
Apesar de todas as dificuldades temos trabalhado para
reverter esta legislação ambiental que penaliza o produtor
rural. Brigamos por solução séria e possível de se cumprir,
considerando o grau de endividamento existente.
Principalmente, insistimos numa política agrícola sensata e
duradoura, que valorize o produtor rural e não o agronegócio.
Só para elevar um pouco nossa auto-estima, lembremos da
nossa responsabilidade como setor de vanguarda na economia:
representamos 24% do Produto Interno Bruto (PIB), empregamos
37% da força de trabalho e geramos 36% das exportações do
país.
“Seguro de produção e renda já”. |