| Ensino Médio: para a vida? Para o
mundo do trabalho? Ou para o jovem?
Por Iza Aparecida Saliés*
A Lei de Diretrizes E Bases da Educação Nacional – LDB
estabelece a organização do ensino em dois níveis Educação
Básica e Ensino Superior. A Educação Básica, com 3 etapas de
ensino, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino
Médio.
O Ensino Médio, última etapa da Educação Básica, tem como
finalidade aprofundar os conhecimentos do ensino fundamental
e preparar o estudante para a vida e para o mundo do
trabalho. Esta etapa de ensino ainda não está consolidada
como um espaço tempo escolar próprio para eles, então,
faz-se necessário que o Estado invista mais na estrutura
básica necessária para ofertar aos alunos da rede pública de
ensino o que eles não possuem em casa para complementar os
estudos.
A escola para jovem precisa ter um espaço com possibilidades
de oferecer ampla diversidade de atividades escolares,
sociais e recreativas. Segundo Gimeno a escola deve
proporcionar ao jovem todo apoio para que ele possa superar
suas necessidades advindas das suas condições sociais e
econômicas que interferem no processo ensino aprendizagem
deles.
Só para citar um exemplo, se o jovem não possui um
computador em casa, e o trabalho do professor é uma
pesquisa, como esse aluno vai fazer esse trabalho?
Então a escola precisa estar aberta para acolher esse jovem
carente de aporte tecnológico necessário que os professores
utilizam como ferramenta para contribui com a compreensão
dos conhecimentos científicos úteis para contextualizar o
mundo, facilitando o entendimento dos conteúdos
disciplinares da escola.
As especificidades e necessidades desses jovens são pontos
fundamentais para o sistema de ensino começar a pensar novas
formas, alternativas e metodologias de ensino, que possam de
fato transformar o Ensino Médio em um ensino que promova a
formação humanística e integral, com disciplinas e conteúdos
interessantes, investigativas, provocantes e próprias para a
linguagem dessa geração.
Sei que não é fácil para o professor mudar sua prática
pedagógica aprendida na universidade e sedimentada na sala
de aula, não é confortável rever todos os procedimentos
didáticos e metodológicos de antanho e ter que reconstruir
rapidamente, tudo para atender exigências do mundo em que
vivemos fazendo com que a sociedade cobre novos
comportamentos, conhecimentos e habilidades que vão requere
um outro modo de ensinar e aprender da escola.
Como sabemos, as necessidades contemporâneas são
referenciais que norteiam a trajetória social de nossos
jovens, e como a escola é o espaço onde essa construção é
preparada, então, não podemos deixar o ensino que eles
precisam sendo praticado ainda nas antigas aulas expositivas
do professor ou de leitura do Livro Didático.
Parece que não, mais ainda temos professores utilizando
dessa prática ou só essa, não quero dizer que essas
metodologias não devem ser utilizadas, só que, hoje temos um
universo de possibilidades, alternativas de inovações
pedagógicas que podemos usar para tornar o assunto da aula
mais significativo.
Penso que o Ensino Médio merece estudos mais profundos
quanto ao seu currículo de ensino, quanto à atuação docente,
assim sendo, faz-se necessário atitudes mais contundentes
por parte do Estado, vejo que ao incentivar a implementação
do Projeto Político Pedagógico da Escola de modo que a
escola entenda que o projeto é um processo que precisa ser
construído pela via da discussão coletiva do currículo de
ensino de forma participativa, e a relação dialógica pode
ser o norte da sua elaboração e que as ações planejadas
sejam factíveis, assim sendo, podemos rever a escola que
temos para termos a escola que precisamos.
O Ensino Médio que estamos oferecendo não está ainda na sua
plenitude, os índices mostram que há problemas estruturais
que apontam a urgente necessidade de mexer nas entranhas da
escola para promover um ensino mais significativo onde os
conceitos estudados na escola própria sirvam para a vida
eles, ou seja, que apresente um currículo de ensino que
estejam articulados com a vida com o mundo do trabalho, com
o trabalho além de abordar os clássicos conteúdos da
formação geral.
*Professora da rede estadual de ensino, com
32 anos estudando, discutindo , pensando educação , gosto
muito de ler e escrever , opinar sobre temas relacionados
com o ensino. |