| A Polícia comunitária é a essência da
Polícia cidadã Por Archimedes
Marques
...”A polícia comunitária, aquela que diuturnamente
convive com o povo, não é senão a visão da polícia à luz do
valor da amizade; e é a única solução a ser dada com êxito
para resolver a preocupante questão da violência, sobretudo
nas grandes cidades.” (Miguel Reale. 1910-2006)
A nossa Carta Magna, a atual Constituição Federal de 1988
plantou a semente de uma nova Polícia, uma Polícia voltada
para o povo, para efetivamente proteger o povo, para ser a
guardiã das Leis Penais e da sociedade e, com o intuito
principal de manter a ordem estabelecida pelo Estado
Democrático do Direito.
Da semente plantada nasceu a Polícia cidadã. Cresceu,
floresceu e já vem dando alguns bons frutos para a sociedade
brasileira, embora muito ainda falte para o colhimento de
uma ótima safra advinda desta frondosa árvore protetora do
povo.
A nossa Carta Magna recebeu o título carinhoso de
Constituição Cidadã pelo fato do primor em prática
relacionado aos direitos fundamentais e sociais de cada um,
alicerçados na cidadania e na dignidade do ser humano.
A Polícia cidadã é a transformação pela qual passou a
Polícia de outrora por exigência da Constituição cidadã.
Essa Polícia estabelece um sincronismo entre o seu labor
direcionado verdadeiramente a serviço da comunidade, ou
seja, uma Polícia sempre em defesa do cidadão e não ao
combate do cidadão como ocorrera nos anos de chumbo da
ditadura militar.
Não há como confundir o termo Polícia cidadã, como sendo uma
Polícia covarde, frouxa, que trata os marginais com flores,
delicadamente... Muito pelo contrário, a Polícia cidadã é
uma Polícia forte, destemida, honrada, justa, capaz de
realizar qualquer ato legal possível para defender os
direitos ultrajados do cidadão cumpridor dos seus deveres e
obrigações.
O estrito cumprimento do dever legal, a legítima defesa de
terceiros ou a sua própria defesa devem caminhar sempre
juntos com a Polícia cidadã. Quando confronto houver com
marginais em atos contrários a estes três itens, deve sair
sempre vitoriosa a Polícia cidadã.
A paz é a aspiração, o desejo fundamental de toda pessoa de
bom senso, entretanto, só pode ser atingida com a ordenação
da potencialidade da comunidade em somação ao poder público
em torno do ideal digno de uma segurança justa, cooperativa
e interativa. A paz deve estar em constante ação no seio da
sociedade, de maneira duradoura, não fugaz.
O estudo das relações humanas constitui uma verdadeira
ciência complementada por uma arte, a de se obter e
conservar a cooperação e a confiança das partes envolvidas,
por isso a necessidade preeminente de uma verdadeira e
efetiva interatividade entre a Polícia e a sociedade para
melhor se combater a violência e a criminalidade reinante no
país.
Partindo do principio de que a nossa Policia, a Polícia
cidadã vivencia tudo isso, a Polícia comunitária vivencia
muito mais, pois as suas ações são galgadas na amizade, na
confiança mútua e na parceria com o cidadão em benefício da
própria comunidade.
O Ministro da Justiça, TARSO GENRO, acredita nas ações
implementadas na sua gestão e credita pontos positivos para
a Polícia comunitária ao discorrer em uma das suas boas
falas: “É necessário combater o crime, a marginalidade, mas,
sobretudo, desenvolver políticas para cortar as raízes
alimentadoras e constitutivas do delito. Se o Brasil não
tiver políticas de segurança pública que levem em conta
ações sociais, o país corre o risco de caminhar, cada vez
mais, para uma situação de barbárie crescente, pois as
cidades serão apropriadas por aqueles que desejam substituir
o Estado pelo crime organizado. Por esse motivo, é urgente
valorizar o trabalho dos trabalhadores da segurança pública.
Outra mudança de paradigma gerada pelo PRONASCI é o
policiamento comunitário, uma filosofia de segurança pública
baseada na interação constante entre a corporação policial e
a população.”
As louváveis palavras do Ministro merecem aplausos,
principalmente no que tange a questão de valorizar os
trabalhadores da área da segurança publica e o resgate da
Polícia comunitária que em vários Estados praticamente
sucumbiu ou está em fase terminal.
A Polícia comunitária é, sem sombras de dúvidas, a melhor
forma de interatividade, amizade e reciprocidade de ações da
comunidade com a Polícia cidadã, ou seja, comunga em número
e grau com as sábias palavras e o douto entendimento do
grande jurista, filosofo, escritor e professor Miguel Reale
que entendeu já há alguns anos atrás ser a melhor e única
solução a ser dada com êxito para resolver a preocupante
questão da violência crescente no nosso País.
*Archimedes Marques (delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br
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