Jovens envolvidos com drogas e bebidas

Por Sérgio Vieira*

Cada vez mais o jovem brasileiro está se envolvendo com fumo, drogas e álcool. E quanto mais cedo começar, maiores as chances de dependência. Isso é comprovado por dados alarmantes. Levantamentos obtidos pela Associação Parceria contra Drogas apontam que pelo menos 70% da população brasileira entre 12 e 65 anos bebe ou consumiu álcool pelo menos uma vez na vida.
Destes, cerca de 11% são dependentes. Se levarmos em conta somente a faixa etária entre 12 a 17 anos, a dependência chega a cinco por cento. Uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo indica que o uso do álcool atinge níveis alarmantes em estudantes da oitava série do Ensino Fundamental, ou seja, adolescentes de 14 anos. Nos estabelecimentos públicos, os índices são 83 por cento das meninas e 72% dos meninos. Quanto ao cigarro, a mesma pesquisa mostrou que 50% das meninas de escolas privadas e 49% daquelas que estudam em colégios públicos fumam.
No sexo masculino, a proporção é de 33% e 27%, respectivamente. São dados preocupantes e que revelam outro problema ainda maior: fumo e álcool são fatores que podem induzir o jovem a experimentar e se tornar dependente de drogas ilícitas. O uso precoce está totalmente ligado com a necessidade dos jovens em se auto-afirmarem e se sentirem pertencentes a um grupo. Isso ainda é reforçado pela crise de valores pela qual a sociedade passa atualmente.
O consumo de cigarros começa entre 9 e 10 anos. A situação ainda é influenciada pela facilidade do acesso e pelas experiências vividas dentro de casa. Alguns pais incluem o cigarro na compra do supermercado ou até mesmo pedem para os filhos comprarem. Além disso, mesmo sendo proibido, cigarros e bebidas alcoólicas continuam sendo vendidos para menores de 18 anos.
Os jovens estão fumando muito e associando muito tabaco à bebida alcoólica. O problema também passa por outros fatores, como a propaganda intensa, o excessivo número de pontos de vendas de álcool e fumo, preço muito baixo e variedade de apresentação. Por isso, é essencial um trabalho que sensibilize os estabelecimentos comerciais a não venderem tais produtos para menores de 18 anos. Um outro aspecto que deve ser levado em consideração é que o consumo de drogas, antes mesmo de uma questão individual, deve ser tratado como um sintoma de uma doença social.
A sociedade passa por uma crise de valores e a droga entra nesse contexto como um produto de venda, uma mercadoria como outra qualquer, em uma sociedade consumista.

*Sérgio Vieira - Jornalista e mestre em História pela Unesp