A ÚLTIMA SERESTA

Por Maria Cândida

“..Naquele bairro afastado, onde criança vivia, a remoer melodias.numa ternura, sem par.passava todas as tardes...”

(
Para a Bebé, Pedro e Renato )

E ele era assim.
Manso, humilde, muito culto , dedicou-se ao Magistério Público desde mocinho.e como professor de História no
Instituto de Educação de Assis, participou de festas promovidas por amigos, por escolas, pela comunidade..
Nunca deixou de tocar o seu violão, com a mão esquerda e dizia que os acordes vinham do lado coração,
encantando o mundo e arrebanhando admiradores. A voz, uma doçura, e parecia ter o acompanhamento de vozes
divinas e as serestas eram esperadas a cada comemoração..
Juntava os companheiros, e saiam a cantar pelas praças, pelas ruas, pelos clubes,demonstrando sua alegria, e
fazendo de sua alma o porta-voz de sua felicidade. Adorava crianças, respeitava os velhos e a amizade que o uniu
a tanta gente, foi comprovada na tarde de sua última seresta. Sol a pino, lágrimas, tristezas tentando repetir o
sucesso daquela serenata ao meio dia, realizada num sábado de setembro, quando os amigos o abraçaram pelo
seu aniversario. Depois foi emudecendo. Seu canto ficou pálido e um dia...
“Depois, tu partiste , ficou triste a rua deserta, Na tarde fria e calma ouço ainda..”
Mas os amigos o acompanharam até o fim. E uma porção de vozes, como um adeus, entre lágrimas e preces,
numa tarde que ninguém esquecerá. O Clóvis da Imobiliária, que foi o responsável pelo espetáculo de despedida,
tinha os olhos úmidos, mas, parecia estar feliz.
E...”ficou a saudade, comigo a morar e hoje” o seresteiro canta para as estrelas e os anjos aplaudem , e Jesus, o
doce Jesus sorri...

Citações da música O VELHO REALEJO