VERDADES E MENTIRAS
Por Márcio Alexandre da Silva *
Dois fatos sociais se interelacionam. Primeiro: alguns
meios de comunicações acusando pessoas sem provas – vendendo
mentiras. Segundo: pessoas falando uma das outras – popular
fofoca.
Falar algo que não tem como princípio a matriz da verdade é
propagar a mentira. Mentira é o oposto de verdade. Afinal, o
que é a verdade?
Na filosofia a busca pela verdade é milenar – do período
antigo aos nossos dias. No cristianismo também. Jesus disse
a Pilatos antes da condenação: “Todo o que é da verdade ouve
a minha voz” (Jo 18, 37), no versículo seguinte Pôncio
Pilatos interroga o mestre: “O que é a verdade?”. No mesmo
Evangelho Jesus já havia dito: “Eu sou o Caminho, a Verdade
e a Vida.” (Jo 14, 6).
Nem na fé, filosofia ou qualquer convicção pode se fundar em
verdades absolutas, senão caímos num fundamentalismo. Também
não podemos se fundamentar em verdades temporárias, para não
cairmos num relativismo subjetivo.
Embora estejamos distante de definirmos o conceito de
verdade. Percebemos que as pessoas estão se distanciando
cada vez mais de princípios religiosos, éticos, morais,
filosóficos... causando uma sociedade, cética e relativista
de valores e humanidade .
Assim como os meios de comunicações divulgam informações sem
provas evidentes, existem pessoas [não poucas] que sentem
prazer em tentar denegrir a imagem de outras pessoas, sem
verificar se aquelas informações são verídicas e
procedentes. Se nos meios de comunicações temos
sensacionalistas nas organizações sociais temos os
“fofoqueiros”.
Para ambos temos alguns conselhos dados por Sócrates
filósofo grego [469-399 a. c.] elaborou a brilhante tese das
três peneiras.
Segundos historiadores um rapaz procurou Sócrates e disse
que precisava contar-lhe algo. Sócrates ergueu os olhos do
livro que lia e perguntou:
- O que você vai contar já passou pelo crivo das três
peneiras?
Três peneiras? Não.
Então, preste atenção.
A primeira peneira é a VERDADE.
O que você quer contar é fato ou boato? Caso tenha ouvido
contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Mas, suponhamos que
seja verdade.
Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE.
O que você quer contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou
destruir o caminho, a reputação do seu semelhante?
Se o que você quer contar é verdade e é uma coisa boa,
deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE.
Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda as pessoas? Pode
melhorar o planeta? E, arremata Sócrates:
Se passar pelas três peneiras, então conte! Tanto eu, você e
nossos semelhantes nos beneficiaremos com a notícia. Caso
contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca, uma erva
daninha a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia
entre os habitantes da Terra.
Devemos ser sempre terminal em relação a qualquer comentário
infeliz. Conclui o filósofo.
Nós seguimos esses princípios em nossas vidas ou repassamos
as informações que recebemos sem coerência da procedência?
Quanto aos meios de comunicações somos criteriosos em ler,
ouvir, e assistir imprensas que estão comprometidas com a
busca da verdade?
Nesse ano eleitoral deveríamos usar os três crivos
socráticos. O candidato é verdadeiro, fará bem a sociedade e
necessário a nossa região, estado e país?
Professor de filosofia. Vila Prudenciana -
marciobressane@hotmail.com |
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