O SONHO

Por Márcio Alexandre da Silva*

No interior do estado mineiro havia uma piedosa irmã. Conhecida como irmã Esperança. A religiosa era afamada pela sua bondade e suas belíssimas histórias.
Manhã de domingo, após o término da catequese. A freira esta sentada no banco da praça, alimentado os pombos e rezando o Santo Terço.
Quando as crianças saíram da catequese dominical, Tomé, em tom irônico diz: - irmã conte mais uma de suas histórias sem sentindo. Esperança percebe a provocação do garoto e diz: - Sentem-se todos.
Todas as crianças sentadas ouviam a história da anciã.
- Gabriela era uma menina de 12 anos, após um breve período de enfermidade faleceu. Chegando ao céu, ela foi bem recepcionada por todos.
Na presença de Deus, a menina questiona: Deus! Vivi pouco, por quê? Minha estadia na terra foi tão breve. Não posso voltar e viver mais alguns anos por lá?
Deus responde: - quem morre não volta jamais a terra. Aquele é um estágio passageiro e passado.
Mas Deus se sua infinita misericórdia disse: - deixo rever um dia da sua vida, mais voltar não pode!
A menina num êxtase de alegria concordou e perguntou ansiosa: - quando, quando?
Deus pacientemente diz: - em breve.
Passados alguns instantes Deus dirige-se e menina: - qual dia decidiu rever?
A menina responde: - o dia do meu aniversário de 12 anos.
Começaram as cenas...
Ela acorda brava, pois tinha que despertar cedo, justamente no seu aniversário. Levanta, arruma a cama. A mãe entra cheia de afeto com um arranjo de flor na mão, a menina mal a abraça. E continua a arrumar a cama, num desprezo total pela mãe.
Assistindo a cena no céu a menina diz: - Como fui burra. E grita! MÃE! Preciso dizer que TE AMO. A mãe voltaria tarde do serviço, e ela não a veria naquele dia.
Prosseguem as cenas...
Toca o telefone, era uma grande amiga do colégio, ela atende muito amiga mal. Feliz aniversário disse a amiga. A menina responde: - só se for para você, meu dia esta um horror. A amiga desliga, devido ao mau humor da menina.
Gabriela tenta intervir do céu: - Espere amiga!
Desculpe! Em vão nada mais pode ser feito, disse Deus.
Retomemos a cena da terra...
Hora do almoço. O pai chega para almoçar. E alegremente fala: - Feliz aniversário filha. Trouxe um presente para você. Um vestido lindo. A menina não gostou do presente e não escondeu isso. E pensou: - o que fazer com esse vestido ridículo?
O pai tenta agrada-la ainda mais: - vamos tomar um sorvete a tarde?
A menina responde que não: - imagina o que vão pensar de mim? Tomando sorvete com meu pai? Que cafonice! Penso novamente.
A menina do céu grita: - não quero ver mais nada. Fui imbecil, não aproveitando os melhores momentos da minha vida.
Nisso a menina é surpreendida pela sua mãe, chamado-a: - acorde, vamos para escola. A menina acorda, beija-a intensamente. Liga para o pai, convida-o para tomar sorvete a tarde e usa o vestido dado de presente.
Na escola, abraçou efusivamente sua colega de sala, e disse que a amava.
Desse dia em diante a menina começou a valoriza a sua vida, seus amigos.
E conclui a irmã: - minhas histórias pode não ter sentido. Pois o sentido das coisas não estão nas exterior, mas no nosso interior. Ame sua família, sinta a presença de Deus em cada pequeno gesto no seu cotidiano. Viva como Santa Terezinha do Menino Jesus, que viveu a Infância Espiritual, que é percepção nas pequenas coisas e gestos a presença de Deus, conclui a irmã.
Ao terminar Tomé estava chorando, e conta-se que a partir daquele momento ele mudou seu comportamento.

*Professor de filosofia. Morador da Vila Prudenciana. - marciobressane@hotmail.com