“O EXTERMINADOR DO PRESENTE I”
Por Rubens Cruz*
Um dos jornais diários de Assis, na edição do último sábado,
em seu editorial, criticou o fechamento das piscinas do
Centro Social Urbano para manutenção, no momento em que
vivemos a maior onda de calor dos últimos trinta ou quarenta
anos. Lembrou também a desativação da lagoa do Horto
Florestal desde que o Sr Ézio Spera assumiu a Prefeitura da
cidade, em 2005. Lembra o editorial que os grandes
prejudicados com o descaso do senhor alcaide são os cidadãos
mais pobres da cidade que não têm condições de freqüentar um
clube portador de piscinas. Correta, a interpretação do
jornal.
Para nós que convivemos com o atual Prefeito, seu menosprezo
aos mais carentes, não surpreende. Por trás da fachada do
“homem bonzinho” a todos chamando de ”fio” sempre teve um
político populista, preocupado apenas com sua carreira. No
primeiro mandato era necessário ter um bom desempenho,
cercar-se de assessores com boa formação, que estabelecessem
políticas públicas, eficazes e revolucionárias,
reconhecidamente honestos, para que ele, Ezio, se
reelegesse. Reeleito, para uma segunda gestão, seriam
necessários assessores “dóceis” que facilitassem todos os
tipos de manobras orçamentárias, a prática do clientelismo,
e o privilegiamento de amiguinhos e correligionários,
pensando no “futuro”. Futuro dele, Ézio Spera. Onde se lê
assessores “dóceis”, entenda-se “Secretariado Político”
Ao tomar a decisão de desativar a lagoa do Horto Florestal,
no início da primeira gestão, tentei argumentar, exatamente,
o que disse o jornal no último sábado: que a grande massa
dos mais humildes iria ficar sem o lazer de fim de semana,
ao que friamente respondeu que não iria “contratar seis
salva-vidas para oferecer lazer a ninguém”. Ora, o que
representariam as despesas com, seis salva-vidas trabalhando
apenas nos fins de semana? Principalmente se levarmos em
conta que a marca principal das administrações Ézio (muito
mais na segunda que na primeira) é justamente o enchimento
da Prefeitura de “aspones”: amiguinhos, indicações de
vereadores, candidatos a vereador repelidos nas urnas e
alguns parentes.
Quanto à manutenção da piscina do C.S.U, está à espera desde
outubro. Porque não o fez antes? Provavelmente por que não
havia recursos. E me pergunto todos os dias ao ver a
paradeira e o ostracismo em que se meteu a segunda
administração Ézio: o que se faz com 160 milhões de reais
presvistos no orçamento municipal? Segundo um alto
funcionário da Comul que trata das licitações, aquele setor,
está praticamente parado desde maio de 2009. Quase nada mais
foi comprado, ou pelo menos, nada mais foi licitado. É bom
lembrar que nos anos anteriores era comum a Comul trabalhar
até as vésperas do Natal.
Porém não foi só em relação ao lazer que a administração
Ézio se esqueceu dos mais carentes. As escolas
profissionalizantes do município ofereciam entre 2005 a 2008
(embora contra a vontade do Prefeito) por volta de
oitocentas vagas, por semestre, em 10 a 15 cursos. Em 2009,
este número foi reduzido para trezentos, aproximadamente.
Menos da metade. E a quem, se não os mais humildes e
desprivilegiados, beneficiava tais cursos, oferecendo-lhes
capacitação para entrar ou evoluir no mercado de trabalho?
No momento em que todas as autoridades educacionais
brasileiras ressaltam a importância do Ensino Técnico, em
todos os níveis, como condição de gerar renda e preparar
jovens para o trabalho, o Sr Ézio, entra na contramão da
história e, golpeia com a indiferença e a má vontade tanto
nossas competentes escolas profissionalizantes como jovens
humildes desta cidade que necessitam trabalhar.
O que fez o Sr Ézio com o Biomavale, uma organização
extremamente promissora que, em curto espaço de tempo, além
de distribuir mais de cem mil mudas de bananeira para
pequenos agricultores, teve o condão de aglutinar forças em
torno da criação do Curso de Bioengenharia de nossa Unesp e
que depois se transformou no único Curso de Engenharia de
Assis? Hoje o Biomavale está às moscas, praticamente
fechado. Entretanto, recursos municipais para contratar “aspones”,
não faltam.
O que fez o Sr Ézio com a nossa FICAR, alegria de muita
gente humilde que a aguardava com grande ansiedade para ter
alguns dias de lazer a baixo custo, com toda a família?
Fechou. Alegou o alcaide que “Assis não tem mais perfil de
cidade agro-pastoril”. Se a cidade deixou de ser agrícola e
pastoril, por que criar uma Secretaria da Agricultura?
Apenas para contemplar familiares de um “amigo” político? Os
barracões da FICAR hoje lá estão sendo devorados por cupins,
aguardando a hora de cair. Observação: em um deles funciona
o “Projeto Gueto” que concentrou as crianças mais
desabonadas da rede, com dificuldades de aprendizagem,
algumas abandonadas até pelos pais. Isoladas de seus colegas
das escolas regulares, para não atrapalhá-los. Isto é muito
triste e nos recorda os famosos guetos do nazismo, dos quais
o mais famoso foi o Gueto de Varsóvia para concentrar judeus
que Hitler considerava como seres inferiores. Pode um
Prefeito sério e envolvido com crianças carentes permitir
guetos de crianças em sua gestão? Como pode a nossa
competentíssima Juíza da Infância e da Juventude permitir
tamanha aberração?
O que fez a segunda administração Ézio com a Escola de Meio
Ambiente do Parque do Buracão? Entre 2006 e 2008 funcionava
em tempo integral, com uma única professora, recebendo
crianças das creches ao ensino fundamental, incutindo nos
jovens, desde a mais tenra idade, a preocupação com as
questões ambientais que permeiam o mundo nos dias atuais. Um
lembrete: hoje são três os professores contratados (boas
pessoas e bons profissionais) para esta área. Entretanto, a
escola permaneceu fechada durante todo o ano de 2009. Que
gestão é esta que triplica a despesa e cessa o atendimento?
Temos muitas outras questões a levantar com o Sr Prefeito
que, autoritariamente, dono da verdade, nunca admitiu ser
contestado. Mesmo assim, voltaremos ao assunto. Por enquanto
vamos dizendo que caso continue esfacelando nosso patrimônio
e instituições como o vem fazendo, o Sr Ézio Spera se
credencia a trabalhar numa série televisiva com o sugestivo
nome de “O Exterminador do Presente”.
* Professor aposentado da Unesp. |
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