Profissional de Primeira Linha ou Profissional "Café com Leite"?
Por: Paulo Souza*
Desde cedo aprendemos de forma empírica a identificar quem cumpre ou não suas
tarefas. Gostaria de relembrar e compartilhar com vocês uma expressão que
utilizamos muito na infância: o jogador "Café com Leite".
O "Café com Leite" era aquele jogador que em nossas peladas não fazia diferença
e só jogava porque era o dono da bola, irmão de alguém ou para completar o time.
O interessante é que muita vezes nem pegava na bola e algumas vezes, tínhamos
que parar o jogo e passar a bola para ele e aí retornávamos ao jogo. Apesar de
ninguém gostar de perder mesmo sendo uma pelada, havia espaço para complacência,
mas quando o jogo era de campeonato, não tinha jeito, o jogador café com leite
ficava no máximo esquentando o banco, quando não estava na torcida.
A mensagem era clara, quem joga e quem não joga. Porque quando é um campeonato o
jogo fica sério. O adversário irá usar toda sua técnica e outros artifícios para
ganhar o jogo, como fazer faltas, marcar sobre pressão, executar jogadas
ensaiadas, sem contar o apoio da torcida e a famigerada política dos dirigentes
etc., já não é mais uma pelada, e para vencer precisamos realmente de uma equipe
forte e para isto havia uma seleção natural de quem joga e quem não joga.
O cenário corporativo é como um jogo de campeonato, mas não é um campeonato
qualquer, é daqueles campeonatos acirrados que o nível é bem equilibrado e por
questões de sobrevivência e rivalidade os ambientes são hostis, declarados ou
não, são permeados também por questões políticas, que são utilizadas a todo o
momento, para preservar os interesses individuais ou corporativos. Dentro deste
contexto altamente competitivo ser um bom profissional é pré-requisito e a
excelência é o diferencial, pois neste contexto somos o tempo todo confrontados,
cobrados e testados.
Os perfis dos profissionais do mercado de TI se divergem em especialistas e
generalistas, metódicos e flexíveis, agressivos e politicamente corretos, etc.,
mas independente do estilo os caçadores de talento buscam uma nova classe de
profissionais sem soberba e também sem falsa modéstia, um grupo de profissionais
que se superam nas maiorias dos atributos qualitativos, capazes de saírem do
outro lado em qualquer empreitada que são posta a prova. O que desmistifica a
síndrome de super herói é que na maioria das vezes esses atributos não são
natos, e sim trabalhados de forma sistêmica, planejada, a busca pela excelência
é incorporada em seu dia a dia, fazendo parte dos seus hábitos diários. Estes
profissionais nós chamamos de Profissional de Primeira Linha.
Enfim, neste cenário quem você gostaria de ter ao seu lado?
O profissional café com leite? Ou o profissional de primeira Linha?
Paulo Souza*
Especialista em Gestão de Projetos de Alta Performance
paulo.souza@cubotecnologia.com.br