“A PATA NADA”

Por Maria Cândida

Tenho lido, ultimamente, alguns textos escritos pelo meu querido Nassim.
Alegro-me a cada linha, pelo que ele conta de coisas passadas, com a fidelidade de um anjo,mas, tenho também coisas dele para relembrar. Por exemplo:
Quando Nassim freqüentava, no período noturno, o último ano do Curso de Primeiro Grau, lá no “Clybas”, eu me aventurava a ensinar Matemática para ele.
Nunca soube se isso lhe trouxe algum beneficio na vida, porque, mais tarde ele se aprimorou nos esportes, tornando-se campeão nacional e acho que hoje, nem se lembra mais de mim.
Porém, desde então, era um líder, e resolveu promover campanhas para angariar fundos destinados às festas de formatura de conclusão do curso.
Escondido da direção da escola, (Perdão, seu Nicanor) que proibia vendas de rifas nas classes, ele aproveitava os finais das minhas aulas para executar esse pequeno comércio que se constituía em sortear canetas usadas, borrachas velhas, apontadores que não funcionavam, material que os próprios alunos doavam para desocupar suas bolsas e depois ainda pagavam para participar do sorteio. Era mais uma brincadeira do que qualquer outra coisa, e não rendia nada.
Mas, uma noite, ele se aproximou e disse com ar de vitória.
-Consegui comprar uma geladeira. Agora as rifas serão para valer e espero que a Comissão Organizadora me ajude a vender os números, então pagaremos e nos sobrará um bom dinheiro.
Eu quase cai de susto.
-Imagine, menino, comprou fiado, e vai pagar como?
-Com o dinheiro da venda dos números. Ué.
Sofri com ele, ninguém comprava nada. Apenas alguns professores colaboraram e o dia do sorteio chegou.Pouquíssimos números estavam vendidos. Nassim nem se abalou.
Conferiu o resultado do sorteio e chegou alegre na sala de aulas.
-Menino, o que você vai fazer agora?
-Nada! O número sorteado não foi vendido. Saiu para nós mesmos. Fui falar com “o homem” que não queríamos mais a geladeira, e vou devolver o dinheiro para quem comprou.
Os colegas caíram na risada e acho que ninguém quis receber de volta o dinheiro arrecadado. Foram todos para a cantina...
Naquela noite eu consegui dormir mais tranqüila, porém, nunca me esqueci do fato. Que sorte,heim ?
Mas nós merecemos. Pelo esforço, pela dedicação, pela criatividade desse Nassim que hoje se revela um cronista nota dez.
Menino que se lembra e escreve sobre a Dona Maria da Martelinha, dos Manjares do Dadão, e de outros tantos episódios que enfeitaram sua infância..
Empresário de destaque faz de seus dias uma verdadeira festa. Sempre alegre. Contaram-me que além de arqueiro campeão nacional, faz caminhadas intensas, varando dias,pelas estradas ladeadas de árvores floridas, e vendo de perto todas as belezas do Brasil ou ultrapassando pequenos obstáculos com o mesmo entusiasmo de sempre.
E agora, revelando-se um assíduo colaborador de nossos jornais. E quem falou que a cartilha “A PATA NADA”, não era boa?Era ótima.
O rapaz está aí, provando isso.. E, tem mais uma, gosto muito desse cronista - Nassim Alexandre Chacker .
Saudades e um abraço para todos.