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Uma Polícia efetivamente cidadã
Por Archimedes Marques*
Parece
ser tradição arraigada do povo brasileiro em generalizar que
a Polícia é ineficiente, corrupta e corruptível, que todo
policial é ignorante, arbitrário e irresponsável, quando na
verdade, de uma maneira geral, tais entendimentos não passam
de pensamentos ilógicos e insensatos, pois a Polícia também
evoluiu com o tempo, não estagnou como muitos continuam em
teimar com tais concepções retrógradas.
As ações
desastradas e violentas ocorridas no passado
protagonizadas pela maioria dos componentes das
instituições policiais trouxeram conseqüências negativas e
depreciativas para todos os nossos agentes atuais que lutam
por dias melhores.
A
questão da corrupção e da violência policial de outrora,
principalmente quando da ditadura militar, que ultrapassaram
todos os limites da decência e dos direitos do cidadão
praticadas por grande parte dos seus componentes ainda hoje
respingam na Polícia atual feito um forte ácido sempre a
corroer as boas e novas intenções dos nossos valorosos
profissionais.
Mesmo
agora, depois de muito tempo, vencida a ditadura e instalado
o Estado Democrático de Direito através da Constituição
cidadã e construída pela vontade popular a Polícia cidadã,
restaram as mazelas desta triste impressão que infelizmente
permanece incutida em grande parte da nossa sociedade.
As
manchas negras das ações corruptas e desumanas praticadas
pelos nossos antecessores sujaram o conceito da Polícia
brasileira. A estrada trilhada pelos nossos organismos
visando extirpar esta infeliz fase dos anais policiais é
árdua e espinhosa, mas passível de ser ultrapassada e
vencida pela presente Polícia cidadã, desde que haja a
conscientização do povo de que os tempos são outros e quando
tais fatos negativos se repetem logo os responsáveis são
punidos na forma da Lei.
A
sociedade ainda teme a Policia ao invés de respeitá-la com
aliada. A sociedade repudia a Polícia e dela quer distância.
A sociedade não confia na sua Polícia e pouco faz para
ajudá-la no combate ao crime e, para piorar ainda critica
todos os seus atos.
A
Polícia cidadã é a transformação pela qual passou a Polícia
de outrora por exigência da Constituição Cidadã e pelo
desejo do cidadão. Essa Polícia estabelece um sincronismo
entre o seu labor direcionado verdadeiramente a serviço da
comunidade, ou seja, uma Polícia em defesa do cidadão e não
ao combate do cidadão.
Hoje a
atuação policial se baliza nos princípios norteados pelos
direitos humanos, os quais constam expressamente ou
intrinsecamente na nossa normatização, ou seja, os direitos
humanos refletindo na conduta policial, embora tais direitos
para os policiais, quase sempre não são aplicados e
confundidos como se os mesmos não fossem também cidadãos.
É
preciso que se repensem tais conceitos irracionais para o
próprio bem estar da coletividade. Urge, portanto, de
mudanças nessas concepções errôneas para que haja uma maior
união e interatividade entre o povo e a sua Polícia. Para
que haja confiança do cidadão nas ações da sua Polícia. Para
que a sociedade tenha a Polícia como sua amiga, como sua
aliada, como sua parceira, como sua cúmplice no combate ao
crime.
A
Polícia cidadã é a guardiã da Lei e digna protetora da
sociedade e da cidadania. No seu cotidiano o policial
investiga, protege o bem, combate o mal, gerencia crises,
aconselha, dirime conflitos, evita o crime, faz a paz e
regula as relações sociais. É, portanto o policial, um
grande amigo do cidadão e no seu cotidiano resguarda os seus
direitos contra os seus transgressores, ou seja, protege os
direitos humanos dos humanos direitos em detrimento dos seus
reais direitos que de regra são pouco respeitados até mesmo
pela sua própria instituição.
Conclui-se assim que o policial é incompreendido,
massacrado, humilhado, injuriado, desrespeitado, atacado e
mesmo assim permanece de pé, firme, forte e trabalhando
sempre em busca da tão sonhada paz social.
*Archimedes Marques (delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela UFS) –
archimedesmarques@infonet.com.br - Fonte:
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