Petrobrás: orgulho dos acionistas e desgraça dos aposentados

Por Paulo Roberto Faria de Castro*

A Petrobrás em conluio com os Sindicatos, acabam de “precificar” a vida dos aposentados em 4,36%.
Na minha idade provecta, falta-me ânimo e sobram-me doenças, herdadas por uma genética degenerada, que concorre, apenas e tão somente, com a sólida perfídia dos prepostos da Empresa e da incúria dos sindicalistas, pois, o reajuste imposto aos aposentados, denota de forma cabal e definitiva o limite do ultraje.
Não tenho direito à voz, e caso me outorgassem, emprestaria de Breno, general gaulês, a expressão: “vae victis” (‘Ai dos vencidos’), com a devida vênia ao general e a língua morta, o latim, concedo-me a licenciosidade de transladar para: “Ai dos aposentados”.
Lamento, principalmente, por essa legião de alienados, empregados da ativa, ou não, que transferem o exercício de um direito e de um dever (para com os seus) inalienável, para terceiros, que agem movidos por interesses escusos e sórdidos.
Esses não diferem da maioria dos políticos e comparando-os, somos impelidos, amarguradamente, a concluir:
- são todos do mesmo ofício. Utilizam-se das representações que lhes são outorgadas como valhacouto às suas condutas marginais.
Quando um jornalista inglês perguntou se era difícil governar os italianos, Mussolini respondeu:
- "Não é difícil. É inútil”.
Por extensão, esse é o sentimento que perpassa pelas mentes dos aposentados que, por firmeza de caráter, não tiveram seus neurônios cooptados pelas falácias emitidas em profusão por esses áulicos de uma corte putrefata e tem o discernimento de compreenderem que:
- os sindicatos dos petroleiros, além de inúteis, são venais e fratricidas.
Perdi a fé em Deus e nos homens.
Entretanto, isso não é empecilho para registrar uma passagem da Bíblia que faz menção as atitudes dos fariseus que ao ouvirem uma blasfêmia ou uma profanação da Lei, rasgavam suas vestes em sinal de protesto.
Hoje, quem está desnudado é o sindicalismo petroleiro (seus representantes), além de diversas associações, inclusive, a dos aposentados. Despidos moralmente por não exercerem suas funções precípuas e por serem representantes, exclusivos, de seus abjetos interesses pessoais, com o fito de locupletar-se.
Certamente, não preciso escusar-me pelo que redijo, agravado por escrever mal, pois, os prepostos da Empresa, os sindicalistas e os ocupantes de cargos de diversas associações, vinculadas aos aposentados, que propalam sordidamente, lutar pelos seus associados, desconhecerão esse arrazoado ou, no máximo, assessores despreparados tomarão conhecimento e de forma protocolar, podem responder, questionar minhas observações com argumentos vazios ou hipócritas. Respeitosamente, peço que não o façam.
Prefiro manter-me rotulado com a alcunha que o velho bardo grego, Homero, na sua Rapsódia de Ulisses tornou definitiva, e que certamente, desconhecem:
- ao embebedar o Ciclope, para fugir da morte, Ulisses teve o cuidado de dizer ao monstro que seu nome era NINGUÉM.
Caso fosse o único NINGUÉM não questionaria, afinal não seria imposição, mas destino. Contudo, pela desídia dessas figuras nauseabundas, são milhares que possuem essa marca indelével, segmentados em aposentados, pensionistas e dependentes, graças a desonestidade intelectual desses indivíduos que tem a capacidade de denegrir a profissão e a imagem dos bobos da Corte de outrora, afinal aqueles divertiam a realeza, sem jamais mercadejar suas inteirezas morais.
O lamentável é que as falácias da Empresa, dos Sindicados, das Associações encontram ressonância entre os incautos, pois somos compelidos a acreditar que essas Instituições tem alma, com a devida vênia à licença poética, ao atribuir uma possibilidade da pessoa humana a pessoas jurídicas.
Excepcionalidade a essas posturas torpes, obscenas, vergonhosas, vis, felizmente, existe. Confirma a regra, a da exceção.
Num momento reflexivo sobre as relações humanas, Mayevsky, meu paredro, chegou a seguinte conclusão: o mundo é composto de crápulas, cínicos e de crentes.
Abandonarei o rótulo de crente, mas não ingressarei no mundo dos crápulas e cínicos, abrirei uma dissidência à tese de Mayevsky, e serei um cético empedernido.
Movimentando-me das palavras a ação, estarei providenciado o meu desligamento de 2 (duas) associações que regiamente pago e obtenho como retorno, apenas propaganda enganosa e o registro em minhas retinas do aumento das vaidades de seus presidentes e diretores.
Do sindicado desliguei-me, quando da aposentadoria, meu único momento de lucidez, pois, nos quase 34 anos de empregado da Petrobrás, era sindicalizado.
Conclamo, aos possíveis leitores dessa nota que estabeleçam seus juízos de valores e avaliem o desperdício de esperança e de dinheiro investidos nessas Instituições (Sindicatos e Associações).
Não sou nefelibata e sei que essas inquietações sobre o destino dos aposentados e seus dependentes não fazem parte das preocupações dos prepostos da Empresa, dos Sindicatos e das Associações, pois a cultura desse país de deserdados da sorte é a do individualismo, entretanto, a ausência de recursos nas burras dessas Instituições pode gerar um mínimo de preocupação, de desconforto.
Permitam uma analogia, entre a venda de livros e empregados da Empresa. No que tange as edições de livros e seus preços abusivos, a argumentação é de que a maioria não lê por serem analfabetos, e os alfabetizados não o fazem por falta absoluta de recursos, logo, os preços são altos; os empregados da ativa (a maioria) não reivindicam a perda paulatina de seus direitos por serem comodistas e míopes (analfabetos); os aposentados são espoliados (alfabetizados), por não terem representatividade (ausência de recursos).
Em resumo: o somatório das partes forma um todo deplorável.
Com o avançar na escala do tempo, os empregados da ativa estarão aposentados em condições mais adversas, mais aviltantes, dos que hoje estão na inatividade.
Desejo que tenham a dignidade de manterem-se calados, como agora, e procurem sobreviver com os parcos metais dos futuros e incertos proventos de suas aposentadorias.
Não interpretem, de forma errônea, a retificação que farei em uma palavra utilizada no parágrafo anterior, ao invés de sobreviver, leiam: agonizar.
Recomendo, em razão da leniência do Judiciário brasileiro, que avoquem em suas defesas a “Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio”, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 09 de dezembro de 1948, ao denunciarem como ré (promotora do genocídio) a Petrobrás, pela vileza de levá-los a inanição e à morte, juntamente, com seus dependentes.
A Resolução no. 96 (I), de 11 dezembro1946, declarou que o genocídio é um crime contra o Direito Internacional contrário ao espírito e aos fins das Nações Unidas e que o mundo civilizado condena.
O Artigo II, da aludida Convenção, tem a seguinte dicção:
“Na presente Convenção, entende-se por genocídio qualquer dos seguintes atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: (declinarei, apenas o item “c”)
(c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial.
É uma mera questão de tempo. Tempo que, felizmente, não viverei, mas vocês, lamentavelmente, se transformarão em rebotalhos humanos.


*Paulo Roberto Faria de Castro Macaé, RJ, Brazil Palavras de um mero velho aposentado, não vivo, agonizo com os proventos do INSS. Não tenho tribuna para exercer o direito à voz. Aliás, por questão de honestidade, poderia utilizar-me das tribunas históricas – as caixas de bacalhaus, de legumes ou de frutas, nas praças, mas, na minha idade provecta, falta-me ânimo e sobram-me doenças, herdadas por uma genética degenerada, que concorre, apenas e tão somente, com o sólido mau-caratismo dos homens públicos desse país. Utilizo-me desta Página e do www.teimosiadeumanalfabeto.blogspot.com para cometer assassinatos à lingua de Camões.