ENCARNAÇÃO DO VERBO DIVINO

Por Márcio Alexandre da Silva

O Natal é Encarnação do Verbo Divino, que serve para refletirmos sobre a fragilidade humana e a defesa da vida, sobretudo das crianças indefesas. Num outro olhar o Natal é a oportunidade no Menino Deus re-habitar no coração humano sobrecarregado de apegos materiais.
Qual é o sentido do Natal senão esse: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Deus feito Homem, esvazia-se de si, da sua essência divina, sem deixar de ser Deus, única e exclusivamente para salvar a humanidade. E como a humanidade retribui essa entrega-doação?
Outro aspecto da Encarnação do Verbo Divino é a união de Deus com toda a humanidade e a humanidade entre si: “Por sua encarnação, o Filho de Deus, uniu-se de algum modo a todo homem”. (Gaudium et Spes. n.22). Esse belíssimo ato divino [encarna-se] é demonstração do importante encontro entre o humano e o divino. Mas não podemos desconsiderar que como disse o Concilio de Calcedônia (451) que encarnação é a vinda ao mundo do Deus/Humano: “Verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem” (Calcedônia, ano 451). Como se canta na belíssima melodia Sacramento da Comunhão: “Jesus, fonte de misericórdia que jorra do templo. Jesus, o Filho da Rainha. Jesus, rosto divino do homem. Jesus, rosto humano de Deus” (Nelsinho Correia).
Esse período natalino é oportuno momento de reflexão. Principalmente refletirmos sobre a fragilidade humana – sobretudo as crianças indefesas. Quer pessoa mais inofensiva do que Jesus Menino: “Encontrareis uma criança recém-nascida, envolvida em fraldas, deitada num coxo de animais” (Lc 2,12). Deveríamos com as festividades natalidade, fazer um mutirão em favor da vida. Pois se nós víssemos Jesus na Manjedoura o que faríamos: o abandonaria ou tomaria uma atitude? As crianças de hoje são Jesus gritando ao mundo, “Cuidem de mim”. Pois ele mesmo disse: “Quando fizeres a qualquer um desses pequeninos foi a mim que fizeste”
Deus se encarnou, habitou entre nós, e por egoísmo humano foi morto e ressuscitou. Para ilustrar a presença do Criador na nossa vida Santo Agostinho criou a seguinte ilustração: quando Deus criou o ser humano Ele colocou no coração humano dois amores: o amor a Deus e o amor próprio. Prova disso é que “Deus é Amor”. Com a queda dos nossos ancestrais na fé [Adão e Eva] Deus deixou de morar no coração do homem, devido o egoísmo humano.
Se Deus deixou de habitar no coração do homem ele ficou vazio. Esse [vazio] é uma das explicações para o ser humano ser insaciável, se tem uma bicicleta, quer uma moto, consegue a moto quer um carro, tem o carro, quer um mais potente. No coração humano há um vácuo da existência de Deus. Daí ele se apega as coisas materiais e quer substituir o Deus da Vida pelos apegos às coisas terrenas – antropologicamente isso gera uma grande angústia. Com o pecado original o homem adquiriu de Deus o livre arbítrio – que é o poder de escolher se quer o amor de Deus no seu coração ou não? Com frequencia ouvimos que falta Deus no coração da humanidade. E falta mesmo! É claro que é uma alegoria para justificar que no coração humano deve habitar o amor a Deus e o amor pessoal.
O que fazer para colocarmos Deus no nosso coração novamente? Para os cristãos [entre eles os católico] o Natal é uma oportunidade de colocarmos novamente Deus nos nossos corações. Como? Através da Eucaristia. Da confissão. Do perdão. Da caridade. Da vivência do amor... E de outras inúmeras formas.
Vamos se apresem em colocar no seu coração o amor a Deus. Esse é o tempo – Kairos Divino – para que habitemos na graça nesse Natal e no Ano Vindouro.
Feliz, Santo e Abençoado Natal a todos e todas


marciobressane@hotmail.com