Campanha Ficha Limpa

Por Márcio Alexandre da Silva*

Notícias catastróficas abalaram o país nesses últimos dias. A origem de todo mal vem de Brasília, aliás, a Capital Brasileira poderia ser nomeada “Caixa de Pandora” da nação.
Prossigo com o trecho do memorável Cazuza: “Brasil! Mostra tua cara. Quero ver quem paga. Pra gente ficar assim. Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim...” (Brasil).
Como podes perceber, músicas me inspirou nesse artigo. Portanto, citarei trecho de Brasil Corrupção – Unimultiplicidade: “Neste Brasil corrupção. Pontapé bundão. Puto saco de mau cheiro. Do Acre ao Rio de Janeiro. [...] Brasília tem suas estradas Mas eu navego é noutras águas [...]”. (Ana Carolina – Tom Zé). Parece que a corrupção virou uma modalidade praticada discaradamente sobretudo no meio politico no Brasil.
Esses fatos me causaram indignação por isso vou citar o poema: Só de Sacanagem.
“Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
- Não roubarás!
- Devolva o lápis do coleguinha!
- Esse apontador não é seu, minha filha!
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.
E eu vou dizer: - Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal.
E eu direi: - Não admito! Minha esperança é imortal!
E eu repito, ouviram? IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.” (Composição: Elisa Lucinda). Vamos juntos mudar o final da nossa história? Ou não?
Parece que o anormal no nosso país é ser honesto. Quando na verdade a honestidade deve ser em toda e qualquer circunstância parte inerente da nossa índole.
É devido a fato como esses de corrupção no meio político que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) promoveram a Campanha Ficha Limpa que visa alterar “Lei Complementar número 64, de 1990, tornando inelegíveis pessoas em débito com a justiça, julgadas em primeira instância, e também parlamentares que renunciam ao cargo para não serem cassados.” (fonte: CNBB)
Por isso, pessoas e políticos de bem deve se empenhar para que essa Lei de cunho popular entre em vigor o mais breve possível – inclusive as câmaras municipais. Devemos pressionar os deputados federais e senadores através de e-mails, carta, ou mobilização popular para que os legisladores nacionais votem favorável a moralização da política.
Essas afirmações e esse movimento popular não é uma apologia errônea de que todos os políticos são desonestos – conheço muitos políticos honestos. Ao contrário, pelo fato de acreditarmos que há mais políticos honestos do que desonesto que se propõe uma medida preventiva e cautelar como a Lei da Ficha Limpa.
Enquanto essa lei não é aprova, haja meia, cueca e outras vestimentas.
Isso é: Extra Cômico!


*Márcio Alexandre da Silva - Educador – formado em filosofia – Vila Prudenciana - marciobressane@hotmail.com