| A necessidade da interatividade entre
a Polícia e o povo Por
Archimedes Marques*
Em um país em que a sociedade clama por uma segurança
pública mais eficaz e mais presente, nota-se que o organismo
estatal sente-se impotente e incapaz para debelar sozinho a
crescente onda de violência que assola todos os lugares.
A polícia como figura principal encarregada de manter a
ordem publica para a conseqüente prestação da paz social
precisa da conscientização e cooperação de toda a sociedade
para alcançar os seus objetivos, entretanto, é fato presente
que o povo, na sua maioria, ainda tem a polícia como se
fosse então esta instituição a única responsável pelo
assolamento da violência no país, a principal responsável
pelo recrudescimento da criminalidade, como se fosse então
os policiais seres Onipotentes e Onipresentes para estarem
em todos os lugares a todo o momento a fim de evitar ou
descobrir crimes como num passe de mágica.
A violência e o aumento da criminalidade que atinge o povo
atinge também a Polícia, o Governo. Atinge a toda a
sociedade. Todos nós estamos na mesma aflição.
A paz é a aspiração e o desejo fundamental de todo ser
humano, entretanto só poderá atingida com a ordenação da
potencialidade da sociedade e do poder público em torno do
ideal comum de uma segurança justa, cooperativa e
interativa.
A Lei entrega a Policia o poder do uso da força. Essa
exclusividade da violência legal visa tão somente ajudar a
regular as interações sociais. Através desse poder
legitimado e da função específica de manter a ordem pública,
a sociedade espera da sua Polícia toda a proteção possível e
até impossível, entretanto, pouco ou nada faz para ajudá-la.
O estudo das relações humanas constitui uma verdadeira
ciência complementada por uma arte, a de se obter e
conservar a cooperação e a confiança das partes envolvidas,
por isso o presente apelo que visa uma verdadeira
interatividade entre a Polícia e a sociedade para melhor se
combater a violência e a criminalidade reinante no país.
Durante muito tempo a sociedade pouco se incomodou com a
questão da violência, da criminalidade e tinha a Polícia
apenas como um mal necessário quando na verdade é esta
valorosa instituição de defesa do cidadão, um bem essencial,
um real instrumento da cidadania e da ordem pública. A
Polícia é antes de tudo a guardiã das Leis Penais e o
alicerce da Justiça. Sem a Polícia haveria o caos social
absoluto.
O preceito constitucional de que a segurança pública é
direito e responsabilidade de todos deve sempre crescer até
ganhar apoio da maioria populacional e não apenas de uma
parcela da sociedade. Os conselhos de segurança dos Estados,
das cidades, dos bairros, dos povoados e as organizações não
governamentais devem se fortalecer cada vez com a
conscientização e a união ampla e irrestrita para ajudar a
Polícia na sua árdua missão de combater o crime e resgatar a
ordem ferida.
A sociedade brasileira precisa confiar mais na sua Polícia,
no seu Ministério Público, na sua Justiça. Precisamos
resgatar a confiança do povo nas suas instituições de
combate ao crime, perdida através dos tempos.
Na mesma velocidade em que a criminalidade e a violência
avançam no nosso país por motivos diversos, o crime
organizado ganha forças principalmente com o tráfico de
drogas que termina sendo a raiz de todos os outros crimes
subseqüentes, tais como: seqüestros, homicídios,
latrocínios, roubos, torturas, corrupções, extorsões, lesões
corporais...
Precisamos, além de leis mais rígidas e menos burocráticas,
da união de todos os segmentos da sociedade e em especial do
poder público para formarmos uma Polícia verdadeiramente
forte trabalhando sempre em interatividade com a população
para enfim combatermos a marginalidade com mais presença,
combate este que deve ter um maior investimento em ações
preventivas para não sobrecarregar as ações repressivas como
de fato vem ocorrendo no nosso país.
Assim teremos uma força satisfeita trabalhando todos como
verdadeiros parceiros contra o crime em busca do ideal comum
de uma segurança pública mais adequada e constante que a
sofrida população brasileira bem merece.
* Archimedes Marques (delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br
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