O SEQUESTRO

Certa tarde, já escurecendo, recebi um telefonema que me assustou.
Uma voz de homem perguntou se eu conhecia uma professora chamada Maria Cândida.
Fiquei meio assustada, mas confirmei, e perguntei o que ele queria com ela e eu transmitiria o recado.
Então ele falou:
"É que eu fui há mais de cinqüenta anos seu aluno e gostaria de revê-la".
Pedi o nome e fiz algumas perguntas para que eu pudesse identificá-lo. Ele respondeu a todas e no meu cérebro foi abrindo uma porta e eu senti que era verdade. Não dei o meu endereço. Apenas perguntei onde estava e ele explicou-me com muita paciência o local onde se encontrava. Fazia um frio danado. Eu não sabia se tremia de frio ou de medo. Peguei o carro, não avisei ninguém e fui ao encontro. Loucura total!
Não havia motivo para pensar em sequestro, porque não sou rica, sou idosa, mas bem que poderiam tomar-me o carro. Cheguei e fui filmada desde o momento em que abri a porta do carro. Gelei, e fui ao encontro do meu aluno pensando: "Se for sequestrador é da elite". Um senhor super-charmoso, e ao lado dele mais três senhores.
Estou perdida, é hoje, pensei. Conversamos um pouco, e eu sempre com “um pé atrás”. Delicadamente convidei-os a vir para minha casa, certo de que o encontro estava terminado. Eles não aceitariam. Mas não. Vieram me seguindo no seu próprio carro. Nunca meu Gol afogou tanto. Cheguei, eles entraram e começamos a conversar.
Todos lindos senhores aposentados. Um como gerente geral de um banco importante de São Jose dos Campos, outro trabalhara em uma editora, outro também importante e o quarto era um ilustre aviador.
Contaram-me que tinham um irmão padre, em Londrina ( Padre Lima). Meus sequestradores partiram, mas conservamos a amizade.
Hoje recebi de um deles, senhor Antonio Bueno Limeira, a noticia que lê meus artigos através do umdoistres. Então eu achei que deveria avisar vocês, contando que o site vai longe, e isso me alegra.

Abraços a todos

Maria Cândida