O QUE É CIDADANIA?
Por Márcio Alexandre da Silva*
O que é ser cidadão e exercitar a nossa cidadania?
Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorá-la.
A cidadania deve ou deveria ser divulgado através de instituições de ensino e
meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da sociedade e
comunidade.
Platão divide a cidade na sua obra a República em ideal e real. O homem justo
era encontrado na cidade ideal. Na cidade real, todos os esforços são para
unidade de todos na polis (cidade). Os que vivem na cidade seguem as leis e as
normas. A cidade é a união de pessoas que querem ter mais força nas suas
reivindicações e convívios. Esses dois termos (cidade e cidadão) remetem à
concepção platônica que pode deve ser aplicada a nossa realidade.
A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os
muros, respeitar as placas de trânsitos, os idosos (assim como todas as
pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por
favor, bom dia...
Aristóteles define o “homem como animal político - zoon politikon”, por ser
dotado da razão e do discurso. As cidades têm como finalidade a busca da
felicidade, ou seja, a busca do bem comum segundo o filósofo. “Estas
considerações deixam claro que a cidade é uma criação natural, e que o homem é
por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero
acidente, não fizesse parte da cidade alguma seria desprezível ou etária acima
da humanidade” (Obra. A Política, de Aristóteles.). O pensador considera a
cidade com parte fundante de todo ser humano e social.
Embora os esforços de vermos a política e cidadania do ponto de vista positivo,
e ambas as são, não podemos deixar de mencionar o italiano Nicolau Maquiavel
(1469). Naquela época a Itália estava dividida em diversos principados. Na obra
O Príncipe (1513), ele diz que os “Fins justificam os meios”. Não importa quem
se prejudicará com a minha a atitude, importa conseguir o que quero. Como
exercer a cidadania numa sociedade descrita por Maquiavel? Em que o homem é um
ser maldoso – semelhante a nossa realidade. Para ele importa chegar e se manter
no poder, não importa as formas usadas para isto! É nessa sociedade
“maquiavélica” que nós pessoas dotadas de racionalidade e bom senso devemos
propor uma sociedade com princípios cidadãos, éticos, morais e valores de
respeito e comprometimentos de mudança da realidade.
Não podemos falar de cidadania sem sugerir práticas efetivas, tais como visitar
as casas legislativas, abrigo de idosos ou crianças desamparadas ou outras obras
sociais.
Mas o maior desafio e proposta desse artigo é mudança nos pequenos gestos. Você
reclama dos políticos? Mas, qual foi à última vez que você foi à câmara
municipal ou ouviu pela internet a sessão plenária? Você reclama da saúde?
Quantas reuniões você foi ao conselho gestor da saúde do seu bairro? Só nesse
ano? E a segurança? Foi na conferência aberta sobre segurança pública? Reclama
do seu bairro? Quantas vezes foi ao conselho comunitário do bairro? Não tem
conselho no seu bairro? Então, reúna pessoas de bem e monte um... Como alguns
populares do complexo da vila prudenciana vêm se organizando. Em breve falaremos
da importância dos conselhos comunitários nos bairros e o empenho e organização
desse órgão na vila prudenciana.
E assim acontecem na educação, moradia e questões sociais. Cobramos postura de
melhoras e devemos continuar a cobrar, pois muitas esferas públicas devem
melhorar. Mas, o que fazemos efetivamente para que essas realidades mudem? Só
pagar imposto não suficiente! É preciso sugerir, dialogar e cobrar
inteligentemente políticas públicas adequadas.
*Formado em filosofia e educador. Morador do Complexo da Vila
Prudenciana marciobressane@hotmail.com