Mídia má!?
Por Vitor Tavares
Informando, formando e deformando
Fruto de uma sociedade cada vez mais "sem tempo", em que tudo e todos buscam o
prático, o rápido e o fácil, a população, depois de um ardoroso dia de trabalho,
quer mais é sentar no sofá e ligar a televisão, seja para se informar, relaxar
ou se distrair. Talvez esteja nessa questão, da distração, que a mídia se perde
um pouco dentro do seu papel social de mostrar questões mais relevantes para a
sociedade, que exija conhecimento e reflexão. Não que distrair também não possa
ser um papel midiático, mas esse ponto ganhou uma dimensão muito grande (mesmo
nos telejornais considerados sérios), o que inibe essa tão importante função de
tornar a população mais engajada e com o poder para controlar e corrigir os
caminhos da sociedade.
Apontar culpados para o mau andamento da sociedade, mais especificamente a
mídia, é bastante fácil. Seria a própria mídia o grande problema. Contudo, assim
como em qualquer profissão, o jornalista vive do salário, que depende do seu
desempenho no trabalho e que consequentemente depende da aprovação dos leitores.
Como já diz preceitos básicos da Economia da Informação, a empresa tem que se
adequar ao mercado. Mas seria a imprensa uma empresa? De fato ela o é.
Pode-se achar que a função primordial da mídia seria servir, à sociedade,
informações sem segundas intenções, somente pelo fato de ser útil. Mas para
ocorrer essa "perfeição" seriam necessárias duas coisas: a primeira seria a
população querer o útil, o necessário e as informações não banais; a segunda
seria a mídia não ter dono, pois tendo um proprietário, este, como qualquer
pessoa, tem suas escolhas e vai querer lucrar, ter benefícios etc. Ou seja, a
mídia teria que ser um bem público, o que seria um desastre, pois a população
seria alienada das questões governamentais. Nada privado é totalmente
subserviente ao bem-estar social. O maior problema da imprensa (ou seria da
sociedade?) seria a manipulação das noticias. Não que a parcialidade total possa
ser alcançada, pois o "simples" ato de reportar um fato já requer uma
interpretação mesmo que seja a mais sutil das interpretações.
Hoje, a mídia, informa, forma e deforma a sociedade. Constrói e destrói. Faz e
desfaz. Esse paradoxo tira um pouco da credibilidade da imprensa no papel de um
serviço social, mas impossível não atribuir a ela, a tamanha importância nos
papéis em que cumpre, incluindo a politização, o conhecimento, o combate, e até
a diversão.