Manipulação das massas
Por Sergio Vieira
A recente “guerra” travada através dos meios de comunicação, principalmente o
televiso, entre a Globo e a Record tendo como pano de fundo a Igreja Universal
do Reino de Deus e o seu líder supremo, pastor Edir Macedo, demonstra como a
luta hoje acontece para atingir “as mentes e os corações” das massas. A Globo,
auxiliada por outros meios de comunicação impressos, utiliza como tema uma
denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo contra o bispo Edir Macedo
e nove dos líderes da Igreja que vão de formação de quadrilha até apanhar
dinheiro dos fiéis que são utilizados de forma irregular.
Já a Record contra-ataca demonstrando como a Globo montou seu império, através
do seu líder máximo, Roberto Marinho, por intermédio de uma série de atos
ilícitos que vão do apoio aos governos militares nas décadas de 1960 e 1970 até
outros meios como forma de influenciar a opinião pública brasileira através da
formatação de um padrão global.
Entretanto, o que existe por trás disso tudo é a luta entre duas grandes redes
de televisão que procuram manchar a reputação da outra usando as mais diferentes
armas como forma de vencer uma guerra televisiva. Inicialmente, é importante
destacar que a atuação da Igreja Universal é objeto de controvérsias há muito
tempo. Não é segredo para ninguém que a igreja se utiliza da chamada “Teologia
da Prosperidade” como forma de incentivar os fiéis a doarem seus dízimos. Quanto
mais uma pessoa doar recursos à igreja, automaticamente será beneficiada com a
ajuda divina.
Diante disso, a igreja amealhou um patrimônio muito grande. E vai se expandindo
por todo o mundo, estando presente em cerca de 172 países. Já a TV Globo procura
impor sua vontade à opinião pública através dos mais diferentes meios. A
emissora amealhou um patrimônio também muito grande em todo este tempo de
atuação no mercado, principalmente porque consegue atrair os mais diferentes
anunciantes em função de sua audiência.
Mas, a TV Globo, através dos anos, foi beneficiada com empréstimos de recursos
públicos, principalmente via BNDES, para tampar rombos financeiros. O principal
deles foi em 1999, durante o governo Fernando Henrique, quando foi feito um
empréstimo de R$ 400 milhões para que a Globo pudesse tampar um buraco
financeiro em função de um negócio mal feito. Foi um dinheiro emprestado como se
fosse um negócio de pai para filho.
Na verdade, a Igreja Universal amealha dízimos dos seus fiéis, enquanto a Globo
utiliza-se de dinheiro advindo de recursos públicos. O que se depreende disso
tudo é o roto falando do esfarrapado. Existe um grande desejo de ambas dominarem
as massas com objetivos distintos. Enquanto a Globo quer manter sua grande
influência política elegendo e destituindo políticos, a Igreja Universal,
através da Record, quer crescer cada vez mais para impor sua ideologia de cunho
religioso.
Não é segredo para ninguém que o crescimento da Igreja Universal – e dos
evangélicos – no Brasil (e em todo o mundo) é motivo de preocupação para muitos
dirigentes, principalmente aqueles ligados a Globo. Em 2002, em dois atos
religiosos realizados na África do Sul ao mesmo tempo, Edir Macedo levou mais
gente que o papa João Paulo II. E isso traz medo para muitas pessoas da elite
dirigente no Brasil.
Na verdade, ambos estão errados em suas práticas. Ninguém pode ser a favor dos
métodos que a Universal se utiliza para convencer seus fiéis a doarem dízimos ou
como a forma que a Globo se porta para continuar mantendo-se como dona do poder
no Brasil.
Na verdade, nesta luta entre o bem e o mal e vice-versa, todos nós saímos
perdendo.