Educar: responsabilidade de quem?
Por Alex Batalha
O conflito escola/família
Acredito que é uma responsabilidade conjunta, família e escola têm que caminhar
na mesma direção sem que uma desempenhe o papel da outra. Ambas, muitas vezes,
parecem caminhar para lados opostos onde a família diz que a educação é só
responsabilidade da escola e a escola, por sua vez, alega que são os pais que
não cumprem seu papel. Não é necessário ser nenhum gênio para saber quem sai
perdendo nesse impasse.
A estrutura da família brasileira não é a mesma de antigamente, por inúmeros
motivos não há mais o mesmo convívio familiar de outrora, que garantia muitas
vivências benéficas á criança durante os primeiros anos da chamada idade
escolar.
Analisando friamente a questão chegaremos á conclusão de que os pais têm a maior
responsabilidade na educação de seus filhos. Porém, quando se fala em educação
se pensa logo em escola, como se ela fosse a responsável por tudo de bom ou de
ruim que acontece na vida das crianças, se assim fosse seria muito bom para a
sociedade em geral, mas não é. Não podemos negar a sua responsabilidade no
processo educacional de uma criança, porém na minha opinião, um dos grandes
entraves da educação no Brasil está na falta de estrutura familiar. Claro que a
educação é também responsabilidade dos pais e não só da escola, á escola cabe o
complemento educacional, importantíssimo, que não pode ser substituído por
nenhuma outra instituição, por outro lado, á família cabe a transmissão de
valores (educação no sentido lato).
Atualmente, o que se vê é uma total inversão desses valores, agressões e
desrespeito aos professores e pais (quando eles fazem parte da família) são
situações corriqueiras. Nesse sentido, a educação avança para um caminho
perigoso.
O contato maior dos pais com o trabalho pedagógico ou mesmo com o cotidiano
escolar pode ser ferramenta importante para melhorar tanto a relação
família/escola quanto o rendimento escolar da criança. As escolas só recebem a
família em reuniões de pais e mestres ou quando o filho apresenta alguns
problemas, geralmente de comportamento. Uma gestão escolar mais democrática é
necessária para essa aproximação, ao passo que a escola queixa-se do grande
fardo que lhe está sendo imposto, também não abre efetivamente suas portas para
a participação da comunidade de seu entorno.
Alguns jovens estão passando pela escola sem dar a ela o devido valor, sem
dúvida sofrerão as conseqüências mais tarde na idade adulta, no mercado de
trabalho onde geralmente os despreparados ficam para trás.
Nesse caso deixo a seguinte pergunta: Quem falhou? a escola ou a família?
Ainda há tempo para encontrar o caminho.