E as soluções portuguesas continuam a
nos surpreender
Por Daniel Annenberg*
Uma matéria que li recentemente na internet mostra como
os portugueses continuam procurando melhorar ainda mais o
atendimento ao cidadão:
Depois da entrevista com uma vereadora da cidade de Cascais,
relatada na última coluna, da semana passada, em que ela
mostrava toda a preocupação dos portugueses em atender bem
os cidadãos que procuram a Câmara Municipal de Cascais,
nesta semana trago uma notícia que estava na internet (no
ótimo sítio http://www.i-gov.org/) sobre serviços da Câmara
Municipal do Porto.
Os cidadãos que procuram os serviços desta Câmara Municipal
podem utilizar uma "ferramenta" que permite ao cidadão saber
qual a sua posição numa fila de atendimento através de um
SMS (ou "torpedo" para os mais íntimos).
Diz a matéria:
"De acordo com a autarquia a solução on-line foi instalada
tendo em vista a redução das filas de espera no atendimento,
a optimização dos recursos humanos e o reforço da qualidade
dos serviços prestados".
E continua:
"Desta forma, os utentes (cidadãos) apenas necessitam de
enviar um SMS para o número 68632 para saberem os tempos
médios de espera em cada um dos serviços disponíveis no
Gabinete do Munícipe. O serviço permite também receber uma
mensagem de alerta, quando o tempo de chamada da senha do
utente (cidadão) estiver a terminar."
Ou seja, além de terem informações mais precisas sobre o
tempo médio de espera de cada serviço, um cidadão da cidade
do Porto também pode receber uma chamada de alerta quando a
sua vez de ser atendido estiver chegando.
Como já disse em outras colunas, ter informação é essencial
para podermos gerenciar melhor os serviços (não importa se
públicos ou privados). E poder disponibilizar esta
informação aos cidadãos, além de dar transparência ao
serviço, facilita a vida de todo mundo (do cidadão, dos
funcionários e dos gestores dos serviços).
Do cidadão, porque pode se programar melhor e organizar
melhor o seu tempo.
Do funcionário, porque não fica sobrecarregado, precisando
atender toda demanda ao mesmo tempo, e pode atender com mais
qualidade.
E do gestor dos serviços, porque pode planejar e organizar
melhor o atendimento ao cidadão.
Porém, também aqui, no Brasil, temos implantado soluções
muito interessantes que, pelo jeito, não estão sendo bem
divulgadas.
Se não, vejamos:
Na Bahia, logo no início da implantação do projeto do SAC
(Serviço de Atendimento ao Cidadão), implementado em 1995,
uma solução muito simples e ao mesmo tempo muito inteligente
foi implantada nas unidades que se situavam dentro de
shopping centers.
Nestas unidades já se usavam bips que eram cedidos aos
cidadãos para que estes passeassem pelas lojas do shopping
até a hora de serem atendidos. Quando estava próximo o
momento do atendimento, uma mensagem era enviada ao bip do
cidadão.
Com isso, o cidadão não precisava ficar numa fila ou sentado
esperando ser atendido e podia realizar outras atividades.
O Poupatempo, em São Paulo, recentemente também implantou
uma "ferramenta" muito interessante. É um Sistema de SMS
para lembrar o cidadão sobre o agendamento realizado na
Central de Atendimento (em geral, este Sistema envia uma
mensagem um dia antes para o cidadão, para que este não se
esqueça do seu compromisso).
Também no Poupatempo, nos últimos meses, foi implantada uma
"ferramenta" que permite ao cidadão pagar as taxas
solicitadas pelo Poder Público com um Cartão de Crédito e
diretamente no local em que foi atendido pelo órgão público,
sem precisar se deslocar para a agência bancária.
E praticamente todas as Centrais de Atendimento, nos moldes
do Poupatempo e do SAC, possuem sistemas de gerenciamento do
atendimento que permitem tanto aos cidadãos como aos
funcionários e aos gestores terem conhecimento dos tempos
médios de espera e de atendimento, assim como o volume de
atendimento, os ¿picos¿ e vales em termos de hora, dia e mês
e a produtividade de cada funcionário.
O que quero dizer com isso?
Que nem só os portugueses são brilhantes e/ou inovadores,
apesar de estarem implantando soluções muito inteligentes, e
que nem os brasileiros são conservadores e/ou menos
inteligentes. Como diz Roberto Agune, uma das pessoas que
melhor pensam a questão do Governo Inovador nos dias de
hoje:
"Que a modernização governamental não pode ficar
circunscrita a um único setor ou saber. Ela é
intrinsicamente intersetorial e multidisciplinar.
A entrada dos governos na era do conhecimento e da inovação
pressupõe tratar estes temas de forma estratégica,
colocá-los na agenda política. Lembremo-nos, sempre, que uma
infra-estrutura de banda larga é tão ou mais importante do
que uma estrada, por exemplo, mas poucos têm plena
consciência disso, fora do escalão técnico.
É importante enfatizar que não se muda governo sem
tecnologia, mas só com tecnologia, também não."
O principal é que as soluções existem, a infra-estrutura, as
"ferramentas" estão aí para serem usadas. É uma questão de
sabermos como utilizá-las...
*Daniel Annenberg é administrador público e
consultor. Trabalhou no Poupatempo de sua criação até 2006:
superintendente durante 7 anos e assessor por 2. Atualmente
é sócio-diretor da Res Publica Consultoria em Qualidade &
Serviços Públicos.
daniel_annenberg@terra.com.br |
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