AMIGOS
Por Márcio Alexandre da Silva*
A reclamação frequente é a dificuldade de se ter amigos –
sobretudo entre os jovens.
Quantos amigos sinceros você tem? Podemos mensurá-los por
quantidade ou qualidade?
Aprofundando a discussão: é fácil cultivar as nossas
amizades?
O poeta Mário Quintana afirma haver duas espécies de chatos
“os chatos propriamente ditos e... os amigos, que são nossos
chatos prediletos”. Esses “chatos prediletos” nos ligam
sempre fora de hora. Mandam “me liga”, justamente quando
estamos sem créditos. Não atende ao telefone quando mais
precisamos. E graças a Deus nos ligam de madrugada quando o
sono esta mais gostoso. Essas argumentações aparentam serem
reclamações. Mas, não é! Na verdade essa é uma forma de
dizer muitíssimo obrigado a todos os meus amigos – quando
escrevo amigos sintam-se incluídos as amigas, obviamente – é
bom perceber-se amados por pessoa que podemos chamar de
amigos.
Sugiro que num outro momento vocês ouçam a música de Oswaldo
Montenegro – A lista. Nessa o artista interroga: “Faça uma
lista de grandes amigos. Quem você mais via a dez anos
atrás? Quanto você ainda vê todo dia? Quantos você já não
encontra mais?” Essa música tem uma imensa profundidade
existencial. Fazendo-nos concluir que devemos preservar os
amigos de agora, sem esquecer-se dos amigos de outrora! Cadê
aquele amigo de escola, do trabalho ou do bairro? Porque
você não liga para ele? Mande uma carta, e-mail, torpedo...
Deixe de ser relapso, termine de ler esse jornal e vá se
comunicar com seus velhos amigos. Nunca se esquecendo dos
novos!
Penso que essa música “Oração por meus amigos” (Padre
Zezinho) é um hino de agradecimentos aos amigos. Os bons
amigos quando se afastam, sentimos uma melancolia gostosa,
como diz a canção: “Saibamos deixar um no outro. Uma saudade
que faz bem.” É a saudade de querer voltar sempre.
Ironicamente é como afirmou Renato Russo “É estar-se preso
por vontade” (Monte Castelo). Ainda na música de Padre
Zezinho encontramos a síntese da essência de toda amizade,
pois somos “Gente que sonha junto, gente que brinca e briga.
Se zanga e perdoa.” Embora os percalços de toda relação,
como verdadeiros e sinceros amigos conseguimos transcender
as dificuldades e continuamos a amizade. Sendo essa “Um
sentimento forte mais forte que a morte. Nos faz ser amigo
no riso e na dor”. Esse é o dinamismo de toda amizade –
superar dificuldades e partilhar alegrias.
Como disse o ativista Martin King “No final, não nos
lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do
silêncio dos nossos amigos” não sejam amigos omissos, mas,
sim solícitos.
Obrigado a todos os meus amigos e amigas! Espero ser para
vocês, por muito tempo o chato predileto, ou seja, grande
amigo.
*Professor de filosofia na EE Profª Francisca
R. de M. Fernandes - Morador da Vila Prudenciana -
marciobressane@hotmail.com |
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