OS FILHOS DO BRASIL E OS 60 ANOS DOS DIREITOS
HUMANOS
Por: Wilson Cardoso
“Quando os seres humanos nascem, são livres e iguais, e assim devem ser
tratados”
A Declaração Universal dos Direitos Humanos está ficando sexagenária em 2008. Em
todo o mundo estão sendo organizados eventos que têm como objetivo reafirmar os
preceitos e princípios estabelecidos nos 30 artigos da histórica Carta das
Nações Unidas.
Aqui em São Paulo, uma dessas iniciativas é o projeto Filhos do Brasil, que o
Instituto Idecace realiza com o apoio da ONU. Queremos saber (e cobrar) o que
tem sido feito efetivamente pelas políticas públicas para a criança e o
adolescente do nosso país.
Sim, por que quando se sabe que aqui existem mais de cinco milhões de crianças
com idades entre 5 e 16 anos sendo exploradas pelo trabalho escravo, fica uma
pergunta que não quer calar: serão mesmo os direitos humanos iguais para todos,
independentemente de idade, credo, raça, cor da pele e da condição
socioeconômica?
Não temos a resposta pronta, mas conhecemos os caminhos que podem conduzir a
ela. O Projeto Filhos do Brasil é um deles. Simples no formato, rico de
conteúdo, compõe-se de vários módulos de atividades e eventos (concurso de fotos
e vídeos, livro, peça teatral e cinema) que vão retratar o dia-a-dia das
crianças e adolescentes brasileiras em situação de risco. Nos lixões, nos
cruzamentos de esquinas das cidades, jogados pelas ruas, nos canaviais e
carvoarias da zona rural.
Elas desempenham de fato o trabalho adulto — não é mais leve ou menos perigoso
porque é feito por crianças. É realizado de forma precária, muitas vezes forçado
ou escravo, ligado ao tráfico de entorpecentes, exploração sexual, conflitos
armados e atividades ilícitas, em geral.
O recorte sombrio da nossa sociedade ficará exposto de forma escancarada no
concurso de fotos e vídeos: as imagens com os flagrantes da vida surreal desse
segmento marginalizado serão ampliadas em pôsteres gigantes e vão compor a
exposição itinerante que passará pelas principais cidades do país.
Essa é a proposta do Filhos do Brasil: promover o diálogo entre as partes,
apesar dos diferentes pontos de vista. O Instituto Idecace acredita que as
pessoas devem estabelecer uma agenda social e cidadã baseada no que existe de
comum - o desenvolvimento que pode unir o povo brasileiro em busca de uma
sociedade mais justa para seus filhos.
Wilson Cardoso é presidente do Instituto Idecace
(www.idecace.org.br)